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July 09 Ensaio sobre o pecado Pecado é haver tantas crianças sem pai nem mãe, vagando pelas ruas, nuas de afeto cheirando cola, vivendo de vento limpando o pára-brisa, vivendo de brisa cheirando cola, dormindo no asfalto morrendo no asfalto morrendo de cola, morrendo de fome com fome de cola, com fome de mãe com fome de pai vendendo drops, cheirando cola dormindo na rua, sem pai nem mãe sem nome, sem teto, sem chão dormindo no chão, pedindo um pedaço de pão pra matar a fome, pra comprar a cola fugindo da escola dormindo na calçada, morando na rua vendo a vida passar no pára-brisa a vida acabar no asfalto morrer na calçada cheirando cola passando fome cheirando gente sem nome, sem pão sem pai (zailda coirano) May 25 Lista atualizada de blogs
Infidelidade e internetSegundo estudos recentes, a internet pode agir como incentivo à traição porque agindo virtualmente o internauta tem uma (falsa) sensação de liberdade, julgando que seus atos não serão jamais rastreados ou descobertos. A internet também poderia agir como facilitador porque põe o internauta em contato com pessoas de todas as partes do mundo, criando entre elas um frágil elo através das conversas por computador. No sexo virtual, por exemplo, os parceiros não precisam sequer se conhecer ou saber dados precisos a respeito um do outro, tornando-se fácil esconder-se por trás de nicks falsos. Qualquer pessoa que entre em salas de bate-papo em determinados horários poderá comprovar que há muitas pessoas procurando por parceiros de sexo virtual e nem todos são solteiros. Há quem considere a traição virtual tão grave quanto a que acontece no mundo real, e não há dúvidas de que é no mínimo desagradável encontrar seu parceiro ou parceira entregando-se às delícias do sexo por computador com outra pessoa. Acredito que a internet seja apenas mais uma forma que os "traidores de carteirinha" encontraram para facilitar suas escapadas, e o que não lhes falta são parceiros e parceiras dispostos a participar da brincadeira. (zailda coirano) March 13 Coirano - WikipediaDescobri hoje que meu sobrenome é bem antigo, de origem italiana (e não indígena como imaginávamos) e era um soldado que participou da guerra de Tróia. Vivendo e aprendendo... Clique abaixo para ver você também. Lincando quem me lincou...Achei um blog fazendo referência a um texto meu, postado em outro blog. Agradecimentos aí ao coleguinha... Clique abaixo para ver o blog. March 11 Aula de fonética para americanosSou professora de inglês há 8 anos e meus alunos sempre reclamam porque "inglês não se lê do jeito que se escreve". Tento explicar que na verdade a maioria dos idiomas é assim e só conhecendo a palavra poderemos lê-la com segurança, mas não caem na conversa. Há uns dois anos tive uma aluna americana que veio ao Brasil pra aprender nosso idioma pra lá de complicado em um intercâmbio cultural, e acabei virando babá dela por algum tempo, já que a guria não entendia nadica de nada de português, e os outros alunos a olhavam como se fosse um ET, houve um que até exclamou: "Olha, a americana também usa aparelho nos dentes como a gente!" E eu emendei: "Sim, também tem 2 olhos, 2 orelhas..." Mas justamente nessa época fazia sucesso a "melô da Solange" do Big Brother. Ela ficava muito confusa quando a ouvia, porque não entendia nada. E não era para menos. Depois de desistir de ensinar a ela as mumunhas do "solangês" que eu já conheço de outras eras porque já tive em casa empregada que cantava em inglês (ai meus ouvidos!), resolvi radicalizar e passei a ensinar mais ou menos o que todos nós queríamos - mas não tínhamos cobaia americana pra atormentar. Abaixo transcrevo mais ou menos as principais frases que eu ensinava como ler corretamente (sob nosso ponto de vista de brasileiros): How are you? - ovariól I'm fine, and you? - ímefíneandiól? to be - verbo tóbi there was - térevás there were - térevére power - povér How do you do? - ovadoióldô? Can I help you? - caniéupióu What time is it? - vatimezíte? What are you doing? - vatarióudóin? He's a nice guy - ezaniceguí Mas americano é estranho mesmo, acredita que mesmo depois de um ano ela não aprendeu a ler direito? Foi embora jurando se aplicar mais nas lições e que quando voltasse saberia de cor a letra da música da Solange. Tô duvidando muito, vá lá a gente confiar em americano, mas enfim... (escrito por Zailda Mendes) Encosto bundãoCerca de 2 meses antes de vir pra Diadema encontro um ex-colega de banco, e ante a clássica pergunta "e aí, como vai?" ele baixa a cabeça e responde chateado: - To me aposentando por invalidez por causa daquele assalto... - Assalto? Mas já faz tempo... que te aconteceu por causa do assalto? - To ouvindo vozes... Desato na gargalhada, mas ele me segura pelo cotovelo esquerdo e me chacoalha, vociferando, contundente: - É verdade, tô ouvindo vozes. Recupero-me da crise de riso e digo, séria: - Também ouço vozes. - Ah, é? - pergunta incrédulo meu amigo. - Sim, umas fazem assim: "ultragáz", outras berram: "liquidação nas casas..." Ele me interrompe com um solavanco no cotovelo. Parece irritado. - Não essas vozes. As vozes me mandam fazer coisas, entendeu? - Como atolar uma mandioca no rabo, por exemplo? - ironizo, descrente daquela história toda. - Não, criatura. Deixa de brincadeira. Me mandam fazer coisas práticas. - Que pode ser mais prático que atolar uma mandioca no rabo? - consigo perguntar, antes que ele me dê outro safanão e me faça aproximar-me dele, para me segredar à meia-voz: - Me mandaram agarrar minha vizinha... - Essa é boa, as vozes são de defuntos sacanas então... e você agarrou? - Claro que não, fiquei com medo. Mas mandam fazer outras coisas também. - Como trepar numa ponte e se apinxar lá de cima? - Zailda, isso é sério... - Mais sério que pular de uma ponte? Ele olha em volta pra ver se não nos escutam. Abaixa ainda mais o tom de voz e sussurra: - Mandou vigiar minha mulher... - Essa é boa, agora! Corno mediúnico! Não faltava mais nada! - Não, eu fui ao Centro e disseram que tenho um "encosto". Nisso eu já perco minha (já escassa) paciência pra ficar ouvindo aquele monte de baboseira: - Olha, quer saber? Não tenho tempo pra esse tipo de papo. E quer saber mais? Você não vai se aposentar nunca com esse encosto bundão. Pra aposentar, você precisa de um que te mande subir no balcão na hora de movimento no banco, arriar as calças e "depositar" um montinho de merda em cada guichê de caixa. Ou então pendurar-se de ponta-cabeça num poste o dia inteiro - sem roupa. É, o dia todo com o bruguelinho lá no sol... só assim acreditam que você surtou... Uma semana antes de vir pra Diadema, recebo notícias dele. Uma coisa horrorosa. Dizem que foi de manhâ. Tomava o café da manhã com a família quando de súbito pula em cima da mesa, arranca a roupa, e já se engalfinhando com a mulher que faz de tudo pra impedir semelhante comportamento na frente das crianças, avança sobre a fruteira, pega uma banana, atola-a no rabo e sai pra rua, rindo e babando, balançando o pinguelo de um lado, banana enfiada de outro... Dizem que foi pressão demais no trabalho... a que ponto chega uma pessoa... tiveram que chamar ambulância e tudo, levaram na camisa de força e foi direto pra uma clínica de repouso. Bem, parece que esse aí não vai mais ser bancário... (escrito por Zailda Mendes) March 08 Pérolas ParlamentaresMorei por 21 anos em Pacaembu, cidade do interior de São Paulo e lá uma boa parcela do povo é da zona rural e acontece de elegerem seus representantes, pessoas tão humildes e de pouco estudo quanto eles, e quando acontecem as sessões da Câmara há um verdadeiro festival de asneiras, algumas delas já famosas na região, já viraram até "Lenda Urbana". Na cidade de Irapuru, por exemplo, a 15 quilômetros de Pacaembu, em uma sessão um dos vereadores apresentou seu projeto de lei: - A prefeitura tem muitos veículos e tem muitos gastos com sua manutenção. Há um terreno de propriedade da prefeitura que está sem uso, e nele poderia ser criado um lava-à-jato, dessa forma aproveitando uma propriedade que está abandonada e ao mesmo tempo reduzindo os gastos da prefeitura com seus veículos. Nem bem terminara e já um vereador da oposição se levanta, indignado: - Protesto! Acho isso um abuso e um desperdício do dinheiro público! Em nossa cidade não há nem aeroporto, pra que precisamos de "lava-jato"? Nessa mesma cidade o prefeito, cujo nome não vou mencionar por motivos óbvios, que era mais ignorante que o vereador seu colega, vindo a São Paulo para uma reunião de prefeitos com o governador na época, no hotel deparou-se com uma placa onde se lia: "colabore com a limpeza" e abaixo dessa havia uma imensa lata de lixo. Ele não teve dúvida, tirou uma nota de cem reais do bolso pra fazer bonito, abriu a tampa da lata de lixo e jogou-a lá dentro, "colaborando" assim com a limpeza. Esse mesmo prefeito, logo que assumiu o primeiro mandato - sim, porque já foi prefeito de Irapuru duas vezes, confirmando assim o dito de que cada povo tem o governo que merece - pediu a seu secretário que lhe trouxesse a folha de pagamento dos funcionários da prefeitura porque havia necessidade urgente de reduzir gastos com pessoal. Claro que ele não deve ter dito com essas palavras, mas dentro de suas limitações era o que pretendia dizer. Analisando a tal folha, ao dar com o TOTAL da folha de pagamento perguntou, escandalizado: - Quem é esse tal de "Tota" que ganha mais que eu? Em outra cidade nem tão próxima a Pacaembu - Lucélia, que fica a uns 40 quilômetros - numa dessas "famosas" sessões, um vereador lançou seu projeto: - Meu projeto prevê que se mude o nome de todas as ruas da cidade para nomes de pessoas de nossa terra. Por exemplo: a rua principal da cidade poderia mudar de nome, porque "esse tal" de Santos Dumont ninguém aqui conhece, nunca veio aqui e nem fez nada pela cidade. Realmente, cada povo tem o governo que merece... (zailda mendes) February 04 Mundo masculinoEstá mais do que na cara pra mim que mesmo depois de tantos séculos de civilização o mundo continua sendo governado por e para os homens. É só você olhar à sua volta e logo perceberá que tudo gira em torno da comodidade deles, e uma das formas de eles sentirem-se mais confortáveis é mantendo as mulheres pelo máximo de tempo possível em seu devido lugar - dentro de casa. Senão me diga aí minha colega, que está com a pia abarrotada de pratos pra lavar, por quê é que ainda não inventaram de acabar de vez com a louça da cozinha? Tinha que ser tudo descartável, comeu joga no lixo e acabou-se, lá iríamos nós contentes e saltitantes pra frente da TV. E além de tudo ainda não inventaram um detergente que não arruíne nossos esmaltes, olha só que falta de consideração. E ainda querem os homens que andemos manicuradas e pintadas. De que jeito, minha amiga, se temos pelo menos duas refeições diárias e consequentemente duas vezes nos dirigimos à pia para nela triturar de vez nossas mal-cuidadas unhas naqueles horrorosos agentes químicos com cheiro de maçã! E quem é que quer ficando com a mão cheirando a maçã, me diga lá? E roupa então? Ave Maria, como se empilham as roupas sujas, e haja coragem de ir pro tanque! Nem adianta argumentar que temos máquina de lavar (com certeza uma mão na roda que nossas antepassadas não tiveram o privilégio de pilotar) porque depois tem que enfrentar o cabo seco do ferro de passar, né? Ou será que os homens pensam que as roupas andam sozinhas da máquina pro varal ou secadora e de lá caem durinhas e passadinhas dentro da gaveta? Vai ver que pensam... E por mais que inventem aspiradores, vassouras elétricas e aparelhos a vapor, estes também não fazem nada sozinhos, tem que haver uma burra de carga lá atrás empurrando o danado! E depois, não vamos "aspirar" meias e sapatos que estão espalhados pelo chão, então lá se vai nossa coluna. Depois reclamam que não queremos nada à noite... E depois fila no supermercado, fila no banco, fila na feira, fila na fila. Ai, que só de falar em fila eu já fico cansada... E à noite os queridos maridinhos ainda dizem que ficamos em casa, então não fazemos nada... Se ficássemos pelo menos um dia sem fazer nada, eu queria era ver a cara deles quando chegassem em casa, iam tomar um susto daqueles... E do tanque à mesa e da mesa à geladeira passamos as horas do dia dentro de nosso reinado. E olha que serviço de casa não acaba nunca... (por Zailda Mendes) February 03 Costinha ImpagávelNa primeira parte é um comercial normal, quando acaba espere um pouco porque é muito engraçado. February 01 O que é a tecnologiaGente, estou besta! Baixei o Windows Live Writer e com ele estou postando e gerenciando meus 40 blogs! É uma maravilha, já havia testado outros editores de blogs mas eles tinham restrições, os que davam certo com um certo provedor não aceitavam outro, ninguém merece ter que usar 2 ou 3 editores de texto, né? Pois agora com esse editor do Windows Live eu estou do jeitinho que o diabo gosta, postando em tudo quanto é blog num piscar de olhos! Se você tem mais de um blog ou se tem só um mas fica de saco cheio de esperar página de editor carregar, publicar post, subir foto... então tenta o live writer, é uma maravilha, você já insere as fotos e faz o texto off, depois pede pra publicar e vai em poucos segundos. Provei, comprovei e adorei! Meus blogs no Live SpacesPra quem gosta de blogs aí vai uma lista dos meus blogs do Live Spaces:
Os blogs do blogger, UOL, Terra e afins passo noutro dia. January 31 A MensagemUm amigo nosso, comandante da VASP, conta-me a estranha mensagem recebida por um piloto americano durante uma aterrissagem. O avião da companhia norte-americana sobrevoava a Bahia, a caminho do Rio, quando um defeito no motor obrigou o piloto a providenciar uma aterrissagem no aeroporto mais próximo possível. Na Bahia, justamente na pequena cidade de Barreiras, existe uma pista de emergência (se é que se pode chamar aquilo de pista) para os aviões das linhas internacionais. Raramente é usada, mas era a mais próxima da rota do avião. Assim, o piloto não teve dúvidas. A situação dele estava muito mais pra urubu do que pra colibri. 0 negócio era mesmo se mandar para Barreiras. Pediu pouso durante certo tempo, dirigindo-se à Rádio local em inglês. A resposta demorou um pouco, mas acabou vindo. Alguém, com forte sotaque nordestino, falando um inglês arrevesado e misturado com palavras em português, respondia que estava ouvindo e aconselhava o comandante a procurar outro local para aterrissagem. Há dias estava chovendo em Barreiras e a pista se achava em péssimo estado. O piloto, sem outra alternativa, insistiu em pousar assim mesmo, e tornou a pedir instruções, ouvindo-se lá a voz a dizer que estava bem, mas que não se responsabilizava pelo que desse e viesse. Acontece porém que isso foi dito com outras palavras, ainda num misto de português e inglês. Assim: — Ok. You land. But se der bode, I'il take my body out. (Stanislaw Ponte Preta) A melhor da turmaLogo que passei pelo portão do colégio fui atropelada pela Anália, que era a mais estressadinha da turma. Ela me segurou pelo braço e parecia desesperada. Suas pupilas estavam dilatadas e os olhos pareciam querer saltar das órbitas, de tão esbugalhados. Mal pude entender quando ela me perguntou, a voz saindo junto com meio litro de baba, que ela costumava espelir abundantemente quando estava muito nervosa: - Estudou pra prova? Prova, que prova? - pensei eu. E se a Anália estava nervosíssima eu estava apavorada quando balbuciei: - Não estou sabendo de prova nenhuma. - A prova bimestral de matemática! Aquilo foi como um bombardeio em meu estômago, que se contraiu dolorosamente sobre o parco desjejum que eu tomara naquela manhã. Começaram a tremer-me as pernas, os braços, os dentes se chocavam uns nos outros e eu mal podia conter o pavor. Fui obrigada a confessar às colegas aflitas que não poderia ajudá-las com meus escassos conhecimentos dessa vez. A prova seria depois do recreio, de forma que entre uma aula e outra eu dava uma passada d'olhos no caderno, tentando decorar as complicadas fórmulas e entender aquelas famigeradas cifras. Quando o sinal que anunciava a temida aula tocou, nos entreolhamos assustadas antes de partir para a sala de aula, em silêncio e de cabeça baixa, como o boi quando vai para o matadouro. Na prova fiz o que pude e pelo que pude estudar até que estava fácil, mas eu não tinha muitas esperanças. Depois da aula comentamos, desalentadas, como tínhamos nos virado durante aquele amargo episódio. Fomos para casa, cabisbaixas, esperando o dia do anúncio das notas e do resultado do exame. Enfim chegou o temido dia, o professor (que era um dos raros que tínhamos, em sua grande e esmagadora maioria eram freiras) entrou com um calhamaço de provas corrigidas na mão e isso acabou com nossas esperanças de que ele tivesse sofrido um acidente ou que sua casa tivesse ardido em chamas - queimando assim aquela papelama inútil. Antes de dar as notas ele começou um discurso que ouvimos com o coração na mão e absolutamente paralisadas. Nossos piores temores se concretizavam: - Como o resultado das provas foi muito abaixo do esperado, vou entregar as provas e dar as notas em voz alta, porque aqui parece que ninguém estudou nada. E começou a ladainha: - Fulana... zero. Beltrana... zero. E assim ia chamando as alunas e a cada nome e a cada prova era um zero. Logo no princípio aquilo foi aterrador, mas à medida em que os zeros iam se sucedendo algumas alunas começaram a dar risinhos, já se conformando com a situação. Quando a pilha já estava quase acabando, chamou nossa "crânio" em matemática: - Agnes... quatro. Que horror, ela conseguiu um quatro - pensei. E então me dei conta que ainda não recebera minha prova, que seria a última. Mas antes nosso professor resolveu terminar o sermão que iniciara. - Eu ia anular essa prova, mas depois mudei de idéia por causa dessa prova - fez questão de deixar claro. Por causa dessa prova. E essa frase me assombrou os sonhos durante muitas noites de minha vida. Ainda estávamos lá, pasmas, sen entender nada quando ele então trovejou: - Zailda... dez. O caminho de minha carteira até a mesa do professor foi um dos caminhos mais difíceis que já percorri até hoje em minha vida. Enquanto avançava na direção da mão que me estendia com aquele maldito pedaço de papel, milhões de coisas passavam por minha cabeça. E principalmente que por eu ter tirado dez a prova não seria anulado, portanto minhas colegas todas ficariam com nota zero no boletim. Essa foi a primeira vez que um sucesso meu prejudicou outras pessoas, pessoas essas que eram minhas amigas, e que jamais entenderam como eu pude tirar um dez se disse que não sabia nada e portanto não as ajudei a estudar antes da aula. Se alguma delas estiver lendo essa crônica, espero que agora entenda e, mesmo que tardiamente, me perdoe. (por Zailda Mendes) January 30 O espiritismo em nossa vidaHoje quando entrei no msn tive uma grata surpresa, encontrei com a Andrea, que trabalhou comigo no CCAA de Junqueirópolis. Foi um papo longo e agradável, ela me contou entre outras coisas que está esperando bebê pra julho. Conversa vai, conversa vem, entramos no papo de espiritismo e contei pra ela que tenho um blog só pra falar sobre esse assunto e que ia postar a história dela lá, se ela não se incomodasse. Ela, que é espírita, na hora foi ver o blog e aprovou a idéia. Portanto, ainda hoje sairá a publicação da história (se ela me enviar os dados que me prometeu por e-mail). Se você se interessa por esse assunto e acredita no espiritismo, dá uma passadinha lá: (por Zailda Mendes) January 07 A justiça é cega?Promotor abate motoboy a tiros em frente ao parque do Ibirapuera em São Paulo. Alega que simplesmente reagiu a uma tentativa de assalto e de fato foram encontrados relógios roubados em poder da vítima. A família nega o envolvimento do motoboy em roubos, não tinha passagem pela polícia. Consta que um amigo com problemas no carro ligou pedindo ajuda, o motoboy foi em seu socorro e não voltou mais. Deixa mulher grávida e filho.
Esse tipo de notícia infelizmente é cada dia mais comum em grandes cidades. O promotor diz que o rapaz "deu a entender" que estava armado. Esse "deu a entender" significa o que? Será que ele passou a mão na cintura? Quem sabe uma pulga ou o amigo em apuros teria ligado em seu celular pra saber se ele já estava chegando, ele põe a mão na cintura pra atender e é abatido a tiros?
E o que teria passado na cabeça do promotor? Aqui são frequentes os casos de assalto em farol e normalmente os assaltantes usam motos por ser um meio de fuga rápido e eficaz. Seria o promotor culpado? Talvez, por mera precipitação, excesso de zelo, antes de ser alvejado ou depenado, resolveu ele mesmo reagir, já que contar com a segurança policial é algo que nem nos passa pela cabeça nessas horas.
Não o desculpo, quem se atreve a portar uma arma deve ter no mínimo a consciência de que ela é letal, seu único fim é o extermínio. E um promotor tem a exata compreensão do que isso significa.
Muitas vezes nos sentimos tentados a atirar antes e perguntar depois, mas nem sempre se pode perguntar depois. Esse, no caso, só se for numa sessão espírita. Mas com a violência num crescendo, a polícia despreparada e em muito menor número que os marginais, o cidadão se vê seduzido pela idéia de fazer justiça com as próprias mãos.
Naturalmente que tirar a vida de outro ser humano, seja ele bandido ou não, é uma opção de quem há muito perdeu a crença na justiça dos homens, e isso causa admiração por se tratar de alguém que dela participa ativamente, ou será que o promotor trabalha em prol da justiça mas não acredita nela? Será ele desses que pensam: "isso é bom, mas pros outros. Pra mim não serve..."?
Quando o cidadão se arvora em advogado, juiz e executor dá-se o que se viu: uma vida jovem encerrada assim sem essa nem aquela, por engano ou omissão, e a vida humana é algo que não tem preço. Devemos parar um pouco e nos perguntar até quando nos eximiremos de cobrar efetivamente uma segurança que realmente nos proteja, uma sociedade mais justa com melhor divisão de rendas, igualdade de oportunidades, punição justa a quem a fez por merecer.
A culpa por essa situação é de todos nós, que ano após ano reelegemos políticos incompetentes e omissos para cuidar de nossos interesses. E nossa integridade física é nosso interesse, nosso apenas e não deles - é o que posso concluir.
De nada adianta nos arvorarmos em defensores de nós mesmos, nos armarmos e nos entrincheirarmos atrás de nossos altos muros, porque numa situação dessas ninguém está a salvo. Nem o motoboy nem o promotor.
(por Zailda Mendes) |
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