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    March 13

    Coirano - Wikipedia

    Descobri hoje que meu sobrenome é bem antigo, de origem italiana (e não indígena como imaginávamos) e era um soldado que participou da guerra de Tróia. Vivendo e aprendendo... Clique abaixo para ver você também.

    Coirano - Wikipedia

    Lincando quem me lincou...

    Achei um blog fazendo referência a um texto meu, postado em outro blog. Agradecimentos aí ao coleguinha... Clique abaixo para ver o blog.

    Fumo sim, e daí, vai encarar? « Projeto x666

    March 11

    Aula de fonética para americanos

    Sou professora de inglês há 8 anos e meus alunos sempre reclamam porque "inglês não se lê do jeito que se escreve". Tento explicar que na verdade a maioria dos idiomas é assim e só conhecendo a palavra poderemos lê-la com segurança, mas não caem na conversa.

    Há uns dois anos tive uma aluna americana que veio ao Brasil pra aprender nosso idioma pra lá de complicado em um intercâmbio cultural, e acabei virando babá dela por algum tempo, já que a guria não entendia nadica de nada de português, e os outros alunos a olhavam como se fosse um ET, houve um que até exclamou: "Olha, a americana também usa aparelho nos dentes como a gente!" E eu emendei: "Sim, também tem 2 olhos, 2 orelhas..."

    Mas justamente nessa época fazia sucesso a "melô da Solange" do Big Brother. Ela ficava muito confusa quando a ouvia, porque não entendia nada. E não era para menos. Depois de desistir de ensinar a ela as mumunhas do "solangês" que eu já conheço de outras eras porque já tive em casa empregada que cantava em inglês (ai meus ouvidos!), resolvi radicalizar e passei a ensinar mais ou menos o que todos nós queríamos - mas não tínhamos cobaia americana pra atormentar. Abaixo transcrevo mais ou menos as principais frases que eu ensinava como ler corretamente (sob nosso ponto de vista de brasileiros):

    How are you? - ovariól

    I'm fine, and you? - ímefíneandiól?

    to be - verbo tóbi

    there was - térevás

    there were - térevére

    power - povér

    How do you do? - ovadoióldô?

    Can I help you? - caniéupióu

    What time is it? - vatimezíte?

    What are you doing? - vatarióudóin?

    He's a nice guy - ezaniceguí

    Mas americano é estranho mesmo, acredita que mesmo depois de um ano ela não aprendeu a ler direito? Foi embora jurando se aplicar mais nas lições e que quando voltasse saberia de cor a letra da música da Solange. Tô duvidando muito, vá lá a gente confiar em americano, mas enfim...

    (escrito por Zailda Mendes)

    Encosto bundão

    Cerca de 2 meses antes de vir pra Diadema encontro um ex-colega de banco, e ante a clássica pergunta "e aí, como vai?" ele baixa a cabeça e responde chateado:

    - To me aposentando por invalidez por causa daquele assalto...

    - Assalto? Mas já faz tempo... que te aconteceu por causa do assalto?

    - To ouvindo vozes...

    Desato na gargalhada, mas ele me segura pelo cotovelo esquerdo e me chacoalha, vociferando, contundente:

    - É verdade, tô ouvindo vozes.

    Recupero-me da crise de riso e digo, séria:

    - Também ouço vozes.

    - Ah, é? - pergunta incrédulo meu amigo.

    - Sim, umas fazem assim: "ultragáz", outras berram: "liquidação nas casas..."

    Ele me interrompe com um solavanco no cotovelo. Parece irritado.

    - Não essas vozes. As vozes me mandam fazer coisas, entendeu?

    - Como atolar uma mandioca no rabo, por exemplo? - ironizo, descrente daquela história toda.

    - Não, criatura. Deixa de brincadeira. Me mandam fazer coisas práticas.

    - Que pode ser mais prático que atolar uma mandioca no rabo? - consigo perguntar, antes que ele me dê outro safanão e me faça aproximar-me dele, para me segredar à meia-voz:

    - Me mandaram agarrar minha vizinha...

    - Essa é boa, as vozes são de defuntos sacanas então... e você agarrou?

    - Claro que não, fiquei com medo. Mas mandam fazer outras coisas também.

    - Como trepar numa ponte e se apinxar lá de cima?

    - Zailda, isso é sério...

    - Mais sério que pular de uma ponte?

    Ele olha em volta pra ver se não nos escutam. Abaixa ainda mais o tom de voz e sussurra:

    - Mandou vigiar minha mulher...

    - Essa é boa, agora! Corno mediúnico! Não faltava mais nada!

    - Não, eu fui ao Centro e disseram que tenho um "encosto".

    Nisso eu já perco minha (já escassa) paciência pra ficar ouvindo aquele monte de baboseira:

    - Olha, quer saber? Não tenho tempo pra esse tipo de papo. E quer saber mais? Você não vai se aposentar nunca com esse encosto bundão. Pra aposentar, você precisa de um que te mande subir no balcão na hora de movimento no banco, arriar as calças e "depositar" um montinho de merda em cada guichê de caixa. Ou então pendurar-se de ponta-cabeça num poste o dia inteiro - sem roupa. É, o dia todo com o bruguelinho lá no sol... só assim acreditam que você surtou...

    Uma semana antes de vir pra Diadema, recebo notícias dele. Uma coisa horrorosa. Dizem que foi de manhâ. Tomava o café da manhã com a família quando de súbito pula em cima da mesa, arranca a roupa, e já se engalfinhando com a mulher que faz de tudo pra impedir semelhante comportamento na frente das crianças, avança sobre a fruteira, pega uma banana, atola-a no rabo e sai pra rua, rindo e babando, balançando o pinguelo de um lado, banana enfiada de outro... Dizem que foi pressão demais no trabalho... a que ponto chega uma pessoa... tiveram que chamar ambulância e tudo, levaram na camisa de força e foi direto pra uma clínica de repouso.

    Bem, parece que esse aí não vai mais ser bancário...

    (escrito por Zailda Mendes)

    March 08

    Pérolas Parlamentares

    Morei por 21 anos em Pacaembu, cidade do interior de São Paulo e lá uma boa parcela do povo é da zona rural e acontece de elegerem seus representantes, pessoas tão humildes e de pouco estudo quanto eles, e quando acontecem as sessões da Câmara há um verdadeiro festival de asneiras, algumas delas já famosas na região, já viraram até "Lenda Urbana".

    Na cidade de Irapuru, por exemplo, a 15 quilômetros de Pacaembu, em uma sessão um dos vereadores apresentou seu projeto de lei:

    - A prefeitura tem muitos veículos e tem muitos gastos com sua manutenção. Há um terreno de propriedade da prefeitura que está sem uso, e nele poderia ser criado um lava-à-jato, dessa forma aproveitando uma propriedade que está abandonada e ao mesmo tempo reduzindo os gastos da prefeitura com seus veículos.

    Nem bem terminara e já um vereador da oposição se levanta, indignado:

    - Protesto! Acho isso um abuso e um desperdício do dinheiro público! Em nossa cidade não há nem aeroporto, pra que precisamos de "lava-jato"?

    Nessa mesma cidade o prefeito, cujo nome não vou mencionar por motivos óbvios, que era mais ignorante que o vereador seu colega, vindo a São Paulo para uma reunião de prefeitos com o governador na época, no hotel deparou-se com uma placa onde se lia: "colabore com a limpeza" e abaixo dessa havia uma imensa lata de lixo. Ele não teve dúvida, tirou uma nota de cem reais do bolso pra fazer bonito, abriu a tampa da lata de lixo e jogou-a lá dentro, "colaborando" assim com a limpeza.

    Esse mesmo prefeito, logo que assumiu o primeiro mandato - sim, porque já foi prefeito de Irapuru duas vezes, confirmando assim o dito de que cada povo tem o governo que merece - pediu a seu secretário que lhe trouxesse a folha de pagamento dos funcionários da prefeitura porque havia necessidade urgente de reduzir gastos com pessoal. Claro que ele não deve ter dito com essas palavras, mas dentro de suas limitações era o que pretendia dizer.

    Analisando a tal folha, ao dar com o TOTAL da folha de pagamento perguntou, escandalizado:

    - Quem é esse tal de "Tota" que ganha mais que eu?

    Em outra cidade nem tão próxima a Pacaembu - Lucélia, que fica a uns 40 quilômetros - numa dessas "famosas" sessões, um vereador lançou seu projeto:

    - Meu projeto prevê que se mude o nome de todas as ruas da cidade para nomes de pessoas de nossa terra. Por exemplo: a rua principal da cidade poderia mudar de nome, porque "esse tal" de Santos Dumont ninguém aqui conhece, nunca veio aqui e nem fez nada pela cidade.

    Realmente, cada povo tem o governo que merece...

    (zailda mendes)